Este volume compila as edições Savage Spider-Man (2022) 1-5
É difícil recomendar uma obra que exige tanta bagagem prévia para ser, de fato, compreendida — e é exatamente esse o problema de Selvagem Homem-Aranha. Somando um roteiro excessivamente complexo a uma arte que dificulta a fluidez da narrativa, a HQ falhou em me prender ou proporcionar uma leitura agradável.
Vale o aviso: a partir daqui, o texto contém spoilers.








Embora a história não seja de todo ruim, o que mais incomoda é a ausência da origem da transformação. Não vemos o momento em que o Aranha se torna o monstro apresentado neste volume; a trama já começa nas consequências da infecção, tratando o evento anterior como fato consumado.
Para contextualizar: antes de “Selvagem”, Peter investigava mortes ligadas ao misterioso soro “Nota Dez”. Ele descobriu que tudo fazia parte de um plano da Hidra em conjunto com o grupo extremista Immaculatum, que buscava “purificar” o mundo removendo quem consideravam geneticamente impuro. Ao confrontar o Barão Zemo, Peter foi traído, injetado com a substância e caiu em uma ilha remota. Ali, a combinação do vírus com sua fisiologia aracnídea o transformou em uma criatura monstruosa.
Nesta ilha, Peter precisa lidar com outros experimentos grotescos do Immaculatum que estão à solta. Ele passa a agir como a figura dominante do ecossistema, usando instinto, teias e força bruta para subjugar ou eliminar qualquer ameaça em seu caminho.
Ao conseguir sair da ilha e confrontar os líderes do grupo, Peter já não é mais o herói tradicional, mas um monstro com a consciência fragmentada. O cerne do enredo reside nesse conflito: a luta para recuperar sua humanidade versus o abandono total ao instinto selvagem. Em meio à brutalidade, flashes de memórias humanas ainda o assombram, questionando o que restou de Peter Parker dentro da criatura.
O arco encerra com Peter vencendo os vilões, mas mantendo uma batalha interna contínua entre a fera e o herói. No fim, não recomendo este material, especialmente para novos leitores. É uma pena, pois esses encadernados de volume único costumam ser ótimas portas de entrada, mas existem histórias de qualidade superior e muito mais adequadas para quem deseja começar a explorar o universo do Homem-Aranha.
